23 de setembro de 2009

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em construção ...
em viagem ...
em constante definição ...
eternamente indefinido ...
e, sempre distraída ....
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aqui
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nada se quer fazer
nada se quer dizer
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com a postura e o cenário
daqueles que inventam o dizer
...
como se houvesse alguém que os quisesse ouvir!
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há que palhaçada esta!
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quem te ouve vinha de longe
ali parou
por tantas razões ou nenhumas
e mesmo antes de acabares
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já vai para onde tinha que ir
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ao lado nenhum
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diz!
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para ti e para o Outro
esse sempre outro que nunca saberás quem é
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e não me venhas perguntar:
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o que é que tu tens para dizer?
o que é que tu queres dizer?
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a ti?
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a ti, Nada! meu caro ser que me desafias a um diálogo
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interessante
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culto
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intrigante
...
que mais!
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ao Outro, o eterno desconhecido,
a esse, muito tenho a lhe dizer
e até já sinto saudades de nunca o vir a conhecer
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o mundo muda-se a si próprio
com a força de quem nasce para ai virado
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não é sina,
não é querer,
é uma cama onde se nasce,
é uma história que se ouve ao nosso lado
...
mais!
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são fios que se sentem e nos ferem
...
ferem fundo
...
tão fundo, que o dentro de nós reage
e ,ai, nesse pequeno fragmento
...
uns, seguidos aos outros
outros, intercalados com outros
...
sempre a partir do dentro
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e, a ferida grita e não mais te dará descanso
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pela bruma das manhãs ou pelas noites a dentro
entranho os dedos na ferida ... e confirmo
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ainda sinto
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. martapinheirobernardino